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Quando a inclusão começa a excluir
Tenho a impressão de que estamos vivendo uma mudança silenciosa na forma de enxergar as pessoas. Durante muito tempo, a primeira pergunta era: quem é você? Hoje, cada vez mais, parece que começamos por outra: A que grupo você pertence? Seu gênero, sua cor, sua orientação sexual, sua religião, sua posição política, sua classe social. Antes mesmo de ouvirmos o que alguém tem a dizer, já tentamos encaixá-lo em uma categoria. Talvez o conceito de “lugar de fala” seja um dos melho
Claudia Taulois
6 de ago.3 min de leitura


Quando questionar virou ameaça: o perigo de uma sociedade que desaprende a investigar
Durante muito tempo, uma das frases mais repetidas na escola foi que a ciência evolui porque faz perguntas. Questionar não era um problema. Era o método. Foi assim que derrubamos a ideia de que a Terra era o centro do universo, que compreendemos a origem de inúmeras doenças, que mudamos tratamentos médicos, tecnologias e a forma como entendemos o próprio universo. Nenhuma descoberta importante nasceu da obediência intelectual. Todas começaram com alguém disposto a perguntar s
Claudia Taulois
3 de ago.4 min de leitura


A adaptação trai a obra ou apenas muda a linguagem?
A estreia de A Odisseia, adaptação cinematográfica do poema atribuído a Homero, reacendeu um debate que parece inevitável sempre que um grande clássico chega às telas. Antes mesmo de o filme estrear, as redes sociais já discutiam escolhas de elenco, mudanças na narrativa e o quanto a produção seria — ou não — fiel ao texto original. No meio de tantas opiniões, uma frase voltou a aparecer como se fosse uma verdade absoluta: "O livro é sempre melhor." Ela atravessa gerações e c
Claudia Taulois
30 de jul.3 min de leitura


Surpresa... sou um robô
O Substack acaba de anunciar uma parceria com uma ferramenta de detecção de inteligência artificial. A justificativa parece simples: as pessoas têm o direito de saber se um texto foi escrito por um humano ou contou com a ajuda de IA. A reação, como era esperado, dividiu opiniões. Para uns, é uma medida de transparência. Para outros, o início de uma caça às bruxas contra qualquer autor que utilize inteligência artificial em alguma etapa do processo criativo. Faz sentido. Mas t
Claudia Taulois
24 de jul.2 min de leitura


O vale invisível dos fenômenos
Sempre que alguém se torna um fenômeno, começa uma corrida para explicar o por quê. Uns dizem que foi talento. Outros juram que foi posicionamento. Há quem aponte o algoritmo, o marketing, a comunidade certa ou a estratégia perfeita. Nos últimos anos, também surgiu uma infinidade de especialistas prometendo exatamente isso: o método capaz de tirar qualquer pessoa do anonimato e levá-la ao sucesso. Confesso que nenhuma dessas explicações me convence completamente. Não porque e
Claudia Taulois
22 de jul.3 min de leitura


A quem pertence a última palavra?
Mais uma notícia sobre inteligência artificial me causou certo desconforto. Não pelo avanço da tecnologia. A história da humanidade sempre foi marcada por grandes transformações, e aprender a conviver com elas faz parte da nossa evolução. O desconforto veio de outro lugar. Um escritor vencedor de um importante prêmio literário foi acusado de usar inteligência artificial porque detectores concluíram que seu texto apresentava características de uma produção feita por IA. O auto
Claudia Taulois
21 de jul.3 min de leitura


O que nenhuma inteligência artificial pode recriar
A diferença entre uma voz e uma consciência Há notícias que parecem isoladas. Mas raramente são. Quando observadas com alguma distância, começam a revelar um padrão. É justamente nesses padrões que gosto de prestar atenção. Foi isso que aconteceu quando li sobre a chamada necromancia digital. À primeira vista, trata-se de mais um avanço da inteligência artificial: sistemas capazes de reconstruir a voz, a imagem e a forma de se expressar de pessoas que já morreram, utilizando
Claudia Taulois
20 de jul.4 min de leitura


Quando o coração deixou de acelerar?
Houve um tempo em que o amor começava devagar. Bastava uma troca de olhares para o coração disparar. Um sorriso discreto era suficiente para ocupar nossos pensamentos durante dias. O primeiro toque de mãos parecia um acontecimento. A promessa de uma ligação fazia a ansiedade crescer ao longo da tarde inteira. Cartas eram escritas. Bilhetes eram escondidos entre as páginas de um livro. E uma conversa ao telefone podia atravessar horas porque, mais do que ouvir palavras, quería
Claudia Taulois
14 de jul.6 min de leitura


Quantas das histórias em que acreditamos são realmente verdadeiras?
Tanto na vida quanto na arte, há algo que sempre me fascina: perceber como uma única revelação pode mudar completamente a forma como entendemos uma pessoa, uma família, um acontecimento ou até uma vida inteira. Porque, muitas vezes, não vivemos apenas os fatos. Vivemos as histórias que contamos sobre eles. Exemplos disso são dois filmes que vi recentemente. Em Aliados, estrelado por Brad Pitt, uma descoberta inesperada faz com que o protagonista seja obrigado a questionar tud
Claudia Taulois
22 de jun.3 min de leitura


Antes de vender um produto, construa uma conversa
Nos últimos dias, acompanhei algumas discussões sobre o crescimento da CazéTV. Como muitas pessoas, me perguntei como um projeto que nasceu na internet conseguiu, em tão pouco tempo, disputar espaço com empresas que levaram décadas para construir suas marcas. É fácil olhar para o presente e enxergar apenas os grandes contratos, os direitos de transmissão, os eventos internacionais e os milhões de espectadores. Mas existe um aspecto dessa história que me chama a atenção. Olhan
Claudia Taulois
17 de jun.3 min de leitura


Você conhece o projeto da atriz Reese Witherspoon que transformou histórias em uma comunidade global?
Recentemente, comecei a estudar o caso do Reese's Book Club, criado pela atriz Reese Witherspoon, e percebi que seu maior ativo não são os livros. À primeira vista, a explicação para seu sucesso parece simples: uma celebridade recomenda livros para milhões de seguidores e transforma obras em best-sellers. O verdadeiro diferencial não está nos livros. Está na comunidade. A maioria dos clubes de leitura funciona de forma relativamente direta: Livro → leitura → discussão. O mo
Claudia Taulois
15 de jun.3 min de leitura


O que a maior virada da história das finais da NBA pode ensinar aos escritores?
O New York Knicks protagonizou algo que parecia impossível. Perdendo por 29 pontos para o San Antonio Spurs, diante de um cenário que indicava uma derrota praticamente certa, a equipe encontrou forças para reagir e venceu a partida por 107 a 106. Foi a maior virada já registrada em uma final da NBA. Mas o que mais me chamou a atenção não foi o placar. Foi a história. Porque, no fundo, seres humanos são fascinados por histórias de superação. E talvez seja justamente por isso q
Claudia Taulois
12 de jun.3 min de leitura
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