O que os escritores têm em comum?
- Claudia Taulois
- 8 de jun.
- 3 min de leitura
Atualizado: 3 de jul.

Escrever começa muito antes da página em branco. Começa na forma como enxergamos, ouvimos e interpretamos o mundo ao nosso redor.
Você acha que os escritores são pessoas extremamente criativas?
Talvez.
Mas essa nem sempre seja a principal característica.
Quando observamos autores de diferentes gêneros, épocas e estilos, encontramos algumas semelhanças curiosas.
Eles costumam ser observadores atentos.
São curiosos em relação às pessoas.
Gostam de ouvir histórias.
Fazem perguntas.
Prestam atenção em detalhes que passam despercebidos para a maioria.
Mas existe outra característica que considero ainda mais importante: eles mantêm a mente constantemente nutrida.
Escrever não acontece apenas quando estamos diante do computador ou de uma folha
em branco.
A escrita começa muito antes.
Ela acontece quando lemos um livro. Quando assistimos a um filme. Ao ouvirmos uma música. Quando conversamos com alguém que possui uma visão de mundo diferente da nossa. Nas viagens que fazemos. Nas idas ao parque ou ao mercado. No restaurante e na fila do banco.
Confesso que essa é uma das características que mais reconheço em mim.
Adoro observar as pessoas nos lugares por onde passo.
Meus filhos costumam brincar dizendo que quero saber todas as fofocas ao meu redor. Mas não é sobre isso. Na maioria das vezes, são pessoas que nunca vi antes e provavelmente nunca voltarei a encontrar.
Não me interessam seus segredos. Aliás, fofocas não me despertam interesse, pois geralmente carecem de profundidade.
Interessa-me sua humanidade.
Gosto de observar como se comportam, sobre o que conversam, quais opiniões defendem, como reagem às situações e o que suas expressões revelam.
A conversa em uma mesa ao lado. Uma discussão em uma fila. Um encontro casual em
um aeroporto.
Pequenos instantes.
E talvez seja justamente isso que os escritores façam o tempo todo: colecionem fragmentos da vida alheia para construir novas histórias.
Raramente essas observações aparecem exatamente como aconteceram.
Mas, em algum momento, acabam encontrando espaço em um personagem, em um diálogo ou em uma situação da trama.
Porque toda experiência amplia nosso repertório.
Toda conversa acrescenta uma nova perspectiva.
Cada emoção vivida ou observada ajuda a construir personagens mais humanos e narrativas mais autênticas.
Por isso, acredito que bons escritores são, antes de tudo, colecionadores de referências.
Eles leem. Assistem. Escutam. Observam. Refletem.
E armazenam fragmentos do mundo sem saber exatamente quando irão utilizá-los.
Em algum momento, porém, tudo aquilo encontra seu lugar.
Uma frase ouvida anos atrás, uma cena observada casualmente. A lembrança esquecida. Uma notícia, uma dor, um sonho.
E então nasce uma história.
A criatividade não surge do nada.
Ela costuma ser o resultado de uma mente bem alimentada.
Mas existe ainda uma última característica que talvez seja a mais importante de todas:
a persistência.
Porque muitos escritores não escrevem apenas quando estão inspirados.
Eles escrevem quando estão cansados. Quando estão ocupados. Ao terem dúvidas. Mesmo quando ninguém está lendo e os resultados ainda não apareçam.
A inspiração e a criatividade ajudam.
Mas é a persistência que transforma uma pessoa que gosta de escrever em alguém que realmente se torna escritor.
E se você deseja escrever melhor, talvez o segredo não seja apenas escrever mais.
Talvez seja ler mais. Observar mais. Aprender mais. Sentir mais.
Alimente sua mente com diferentes experiências, ideias, histórias e perspectivas.
Porque toda grande narrativa nasce, primeiro, dentro de quem a escreve.



Clau, dá pra publicar aqui e nao em um post escolhido