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Quando o passado vira negócio, o que não pode ser perdido?
Há um movimento interessante acontecendo no entretenimento. Livros que conquistaram leitores anos atrás estão ganhando novas vidas nas telas. Romances que durante muito tempo foram tratados como literatura menor hoje movimentam streamings, fandoms, eventos, produtos e milhões de espectadores. Não é difícil entender o interesse. Uma história que já encontrou seu público chega à tela acompanhada de algo que qualquer produtor gostaria de ter: uma comunidade emocionalmente envolv
Claudia Taulois
23 de set.4 min de leitura


O que um smartphone e um laboratório podem ensinar sobre comunicação?
Duas campanhas recentes chamaram minha atenção. A primeira veio da Apple. Como parte da plataforma Shot on iPhone, a empresa lançou, no México, a micro novela vertical Nido de Villanas, gravada inteiramente com o iPhone 17 Pro. Em vez de um comercial destacando câmera, zoom ou estabilização de imagem, a marca escolheu um formato que hoje faz parte da rotina de milhões de pessoas: episódios curtos, linguagem de entretenimento e uma narrativa inspirada nas tradicionais telenove
Claudia Taulois
12 de ago.3 min de leitura


Pela capa, pela sinopse... e por tudo aquilo que fica de fora
"Você escolhe um livro pela capa?" Quase todo leitor responderá que não. Ainda assim, basta entrar em uma livraria para perceber que a capa importa. O título também. A sinopse talvez ainda mais. Nenhum desses elementos determina se uma obra será boa, mas todos influenciam uma decisão silenciosa: dar ou não uma chance àquela história. Existe, porém, uma curiosidade pouco conhecida fora do mercado editorial. Escrever um romance costuma ser mais prazeroso do que escrever sua sin
Claudia Taulois
5 de ago.3 min de leitura


Uma importante mudança cultural: o que as histórias mais populares do mundo estão tentando nos dizer?
Durante anos, a transformação digital trouxe uma previsão quase inevitável: as histórias precisariam se adaptar a um mundo com cada vez menos tempo e mais estímulos. Os conteúdos ficariam menores e os ritmos seriam mais acelerados. As narrativas precisariam conquistar o público nos primeiros segundos. Essa lógica continua presente. As redes sociais, os vídeos curtos e o consumo fragmentado fazem parte da rotina de milhões de pessoas. Mas, ao mesmo tempo, outro movimento ganho
Claudia Taulois
31 de jul.5 min de leitura


A adaptação trai a obra ou apenas muda a linguagem?
A estreia de A Odisseia, adaptação cinematográfica do poema atribuído a Homero, reacendeu um debate que parece inevitável sempre que um grande clássico chega às telas. Antes mesmo de o filme estrear, as redes sociais já discutiam escolhas de elenco, mudanças na narrativa e o quanto a produção seria — ou não — fiel ao texto original. No meio de tantas opiniões, uma frase voltou a aparecer como se fosse uma verdade absoluta: "O livro é sempre melhor." Ela atravessa gerações e c
Claudia Taulois
30 de jul.3 min de leitura


As histórias que herdamos
Recentemente, comecei a assistir à saga da família Dutton por meio de 1883, 1923 e Yellowstone. Enquanto acompanhava cada episódio, percebi que não estava pensando apenas na história daquela família. Estava voltando para a minha. Muito antes de conhecer os Dutton, eu já vivia outra tradição. Meu pai era apaixonado por História. Conhecia batalhas, impérios, personagens e acontecimentos com uma profundidade que sempre me impressionou. Mas o que mais marcou minha infância não fo
Claudia Taulois
29 de jul.3 min de leitura


Surpresa... sou um robô
O Substack acaba de anunciar uma parceria com uma ferramenta de detecção de inteligência artificial. A justificativa parece simples: as pessoas têm o direito de saber se um texto foi escrito por um humano ou contou com a ajuda de IA. A reação, como era esperado, dividiu opiniões. Para uns, é uma medida de transparência. Para outros, o início de uma caça às bruxas contra qualquer autor que utilize inteligência artificial em alguma etapa do processo criativo. Faz sentido. Mas t
Claudia Taulois
24 de jul.2 min de leitura


Quando todo mundo quer uma comunidade, talvez o diferencial volte a ser uma boa história
"Jogo de produtinho disfarçado de comunidade tem um monte por aí. Agora, fazer direito ninguém quer, né?" Li essa frase recentemente, acompanhada de dezenas de relatos semelhantes. Creators convidados para "eventos exclusivos" que nunca resultam em parceria. Produtos enviados com briefing, roteiro, exigências de figurino, maquiagem, aprovação de conteúdo... mas nenhuma remuneração. Tudo em nome de uma suposta comunidade. A crítica me chamou menos atenção do que a palavra esco
Claudia Taulois
23 de jul.3 min de leitura


O vale invisível dos fenômenos
Sempre que alguém se torna um fenômeno, começa uma corrida para explicar o por quê. Uns dizem que foi talento. Outros juram que foi posicionamento. Há quem aponte o algoritmo, o marketing, a comunidade certa ou a estratégia perfeita. Nos últimos anos, também surgiu uma infinidade de especialistas prometendo exatamente isso: o método capaz de tirar qualquer pessoa do anonimato e levá-la ao sucesso. Confesso que nenhuma dessas explicações me convence completamente. Não porque e
Claudia Taulois
22 de jul.3 min de leitura


Certificado de origem: humano
Tenho o hábito de observar fatos, conectar padrões e escrever sobre as transformações do nosso tempo. É quase como costurar uma colcha de retalhos. Cada notícia, cada campanha, cada comportamento é apenas um pedaço de tecido. Sozinho, diz pouco. Mas, quando costurado a tantos outros, começa a revelar um desenho maior. Nas últimas semanas, alguns desses retalhos vieram da publicidade. Outros da literatura, da música, da tecnologia e até de um mercado tão improvável quanto o da
Claudia Taulois
13 de jul.3 min de leitura


Se nunca produzimos tanta cultura, por que está cada vez mais difícil surgir um novo grande nome?
Existe um fenômeno curioso acontecendo na economia criativa. Ele aparece nas paradas musicais, nos festivais, nas listas de livros mais vendidos, nas plataformas de streaming, na publicidade e até nas discussões sobre inteligência artificial. À primeira vista, parecem assuntos desconectados. Mas todos apontam para a mesma pergunta: por que, em uma época que produz tanto conteúdo, é tão difícil ver surgir novos fenômenos culturais? Nos últimos meses, diferentes estudos e repor
Claudia Taulois
8 de jul.3 min de leitura


Depois de um século celebrando o indivíduo, a cultura parece querer reunir as pessoas novamente
Enquanto a Copa do Mundo mobilizava bilhões de pessoas ao redor do planeta, o Cannes Lions reunia, na França, a indústria criativa para discutir o futuro da comunicação. À primeira vista, dois universos completamente diferentes. Mas uma reflexão da produtora executiva Fernanda Germek chamou minha atenção. Ao comentar os dois eventos, ela sugeriu que talvez tanto a Copa quanto Cannes sejam, acima de tudo, fábricas de pertencimento. A expressão ficou comigo, não apenas pela for
Claudia Taulois
7 de jul.4 min de leitura


Quando a técnica deixa de ser rara, o que passa a ter valor?
Na era da IA, o diferencial deixa de ser a técnica e passa a ser a assinatura. Recentemente, o Spotify lançou uma campanha para divulgar sua nova funcionalidade de compra antecipada de ingressos para assinantes Premium. A novidade, porém, não estava apenas no produto. Em um momento em que a inteligência artificial ganha espaço na publicidade, a empresa optou por um caminho menos óbvio. O filme foi desenhado à mão, quadro a quadro. Os cenários nasceram da caneta antes de serem
Claudia Taulois
6 de jul.3 min de leitura


Os vídeos de um minuto estão mudando o lugar do livro no mundo
Uma notícia vinda da Feira Internacional do Livro de Pequim chamou a atenção do mercado editorial por um movimento que, à primeira vista, parece apenas uma curiosidade de formato. Na China, histórias publicadas em plataformas digitais estão sendo transformadas em microdramas — vídeos de cerca de um minuto, criados para consumo rápido em celulares e redes sociais. Esses conteúdos ganham enorme alcance e, quando despertam forte interesse do público, seguem um caminho inesperado
Claudia Taulois
3 de jul.2 min de leitura


Os meios passam. As histórias permanecem
O telégrafo desapareceu. As locadoras desapareceram. Os livros continuaram. Em 1997, uma multa de US$ 40 por atraso na devolução de um filme ajudou a dar origem à Netflix. Anos depois, a empresa faria algo ainda mais surpreendente: abandonaria um modelo que era lucrativo para apostar em outro antes que alguém o fizesse por ela. A história é conhecida. Mas ela revela algo muito maior do que a transformação de uma empresa. Ela mostra um padrão que acompanha a humanidade há milh
Claudia Taulois
26 de jun.2 min de leitura


O perigo de todos estarem certos
O objetivo era inovar. Mas, de repente, ficou tudo igual. Nessa Copa do Mundo, torcedores perceberam algo curioso. Nos pés dos jogadores, predominava a mesma cor: rosa. Nike, Adidas, Puma, Mizuno e outras marcas chegaram praticamente à mesma conclusão para suas coleções. A escolha não foi aleatória. Estudos apontavam que a cor se destacava mais no gramado, transmitia confiança aos atletas e estava alinhada às tendências globais de moda esportiva. Cada empresa fez sua pesquisa
Claudia Taulois
23 de jun.3 min de leitura


Quantas das histórias em que acreditamos são realmente verdadeiras?
Tanto na vida quanto na arte, há algo que sempre me fascina: perceber como uma única revelação pode mudar completamente a forma como entendemos uma pessoa, uma família, um acontecimento ou até uma vida inteira. Porque, muitas vezes, não vivemos apenas os fatos. Vivemos as histórias que contamos sobre eles. Exemplos disso são dois filmes que vi recentemente. Em Aliados, estrelado por Brad Pitt, uma descoberta inesperada faz com que o protagonista seja obrigado a questionar tud
Claudia Taulois
22 de jun.3 min de leitura


Antes de vender um produto, construa uma conversa
Nos últimos dias, acompanhei algumas discussões sobre o crescimento da CazéTV. Como muitas pessoas, me perguntei como um projeto que nasceu na internet conseguiu, em tão pouco tempo, disputar espaço com empresas que levaram décadas para construir suas marcas. É fácil olhar para o presente e enxergar apenas os grandes contratos, os direitos de transmissão, os eventos internacionais e os milhões de espectadores. Mas existe um aspecto dessa história que me chama a atenção. Olhan
Claudia Taulois
17 de jun.3 min de leitura


Pesquisa e criatividade: uma parceria, não uma disputa
Existe uma parte do processo de escrita pelo qual tenho um carinho especial: a pesquisa. Talvez porque me permita viver experiências completamente diferentes da minha realidade e me leve a lugares que nunca visitei. Ou porque me lembre que escrever não é apenas inventar histórias, mas também descobrir mundos. Muitas vezes, existe a ideia de que a criatividade e a pesquisa ocupam lados opostos da escrita. Como se o escritor precisasse escolher entre a liberdade da imaginação e
Claudia Taulois
16 de jun.3 min de leitura


O que a maior virada da história das finais da NBA pode ensinar aos escritores?
O New York Knicks protagonizou algo que parecia impossível. Perdendo por 29 pontos para o San Antonio Spurs, diante de um cenário que indicava uma derrota praticamente certa, a equipe encontrou forças para reagir e venceu a partida por 107 a 106. Foi a maior virada já registrada em uma final da NBA. Mas o que mais me chamou a atenção não foi o placar. Foi a história. Porque, no fundo, seres humanos são fascinados por histórias de superação. E talvez seja justamente por isso q
Claudia Taulois
12 de jun.3 min de leitura
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