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Será que estamos chamando de estratégia aquilo que só conseguimos identificar depois que deu certo?

  • Foto do escritor: Claudia Taulois
    Claudia Taulois
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 4 dias



Quando uma empresa se destaca, costumamos procurar dentro dela a explicação.

O produto. A estratégia. A liderança. O posicionamento.


Mas existe uma parte da história que muitas vezes fica invisível: o ecossistema ao redor dela.


E ele pode ser tão importante quanto aquilo que a empresa faz.


Veja como isso aparece em universos completamente diferentes.


Na tecnologia, a Apple não criou apenas aparelhos. Ao abrir espaço para desenvolvedores criarem aplicativos, formou uma rede em que usuários, desenvolvedores e empresas passaram a gerar valor uns para os outros.Em 2025, o ecossistema da App Store movimentou mais de US$ 1,4 trilhão em vendas e faturamento para desenvolvedores. A Apple não precisou criar todos esses negócios. Criou o ambiente para que eles existissem.


Nos brinquedos, a LEGO fez algo ainda mais interessante: transformou parte de sua comunidade em fonte de inovação.No LEGO Ideas, fãs apresentam suas próprias criações, a comunidade vota e projetos selecionados podem se transformar em produtos oficiais. O consumidor deixa de ser apenas quem compra. Ele também pode criar aquilo que a empresa vende.


No esporte, a Fórmula 1 mostra outra dinâmica.Uma corrida parece ter como protagonistas os pilotos e as equipes. Mas, ao redor deles, existe uma rede enorme: fabricantes, patrocinadores, mídia, plataformas de transmissão, cidades, hotéis, restaurantes, turismo e milhões de fãs. A F1 já ultrapassa 800 milhões de fãs no  mundo.Uma corrida dura algumas horas. O ecossistema trabalha o ano inteiro.


Na gastronomia, o Noma ajuda a mostrar como um negócio pode fortalecer o próprio território. Ao valorizar ingredientes locais e trabalhar com produtores, pesquisadores e outros profissionais, o restaurante ajudou a projetar internacionalmente a chamada Nova Cozinha Nórdica. O movimento foi muito além do restaurante. Produtores, cervejarias, outros chefs, restaurantes e o turismo passaram a fazer parte dessa transformação. Mais do que criar pratos, um negócio pode ajudar a criar uma cultura em torno daquilo que faz.


Na creator economy, MrBeast mostra como uma audiência pode se transformar em ecossistema. Ele começou produzindo vídeos para o YouTube e construiu uma comunidade gigantesca. A partir dela, criou novos negócios, como Feastables e MrBeast Burger, além de ampliar sua operação de produção de conteúdo. A audiência deixou de ser apenas quem assistia aos vídeos. Passou a ser a base sobre a qual outros produtos e negócios poderiam

ser construídos.


E, na moda, temos outro tipo de ecossistema. Algumas marcas conseguem deixar de ser apenas marcas e passam a representar uma cultura. A Chrome Hearts é um exemplo. A marca nasceu no universo do couro e das motocicletas e, ao longo da trajetória, encontrou cinema, músicos, rock, celebridades e moda. Uma conexão abriu espaço para outra, até que seus produtos passaram a carregar o significado daquela cultura. A Chrome Hearts construiu sua reputação sem depender da publicidade tradicional como motor central da marca. A própria cultura ajudou a fazer a marca circular.


Seis segmentos, seis histórias, seis formas diferentes de um ecossistema funcionar.

E talvez seja justamente isso que torna o conceito tão poderoso.


Ecossistema não é simplesmente uma rede de parceiros.

É uma rede de participantes com interesses próprios que, quando se conectam, conseguem criar mais valor do que conseguiriam isoladamente.


Existem ecossistemas que são construídos.

Outros são encontrados.


Alguns nascem de uma plataforma. Outros de uma comunidade. De uma cultura. Um território. Uma audiência.


Mas todos têm algo em comum: uma conexão pode gerar outra. E essa outra pode gerar uma nova oportunidade.


É o efeito multiplicador.


Uma empresa cria alguma coisa. Outra pessoa acrescenta algo. A comunidade dá significado. Um parceiro cria uma nova possibilidade. O consumidor recomenda.

E o valor começa a circular.


Nesse sentido, a pergunta estratégica talvez não seja somente: “Como faço meu negócio crescer?”


Mas: “Que ecossistema pode fazer meu negócio crescer?”


E uma pergunta ainda mais interessante: “O que eu posso criar para que outras pessoas também cresçam ao meu redor?”


É possível que o maior diferencial de um negócio não esteja apenas naquilo que ele consegue fazer sozinho.


Mas naquilo que consegue fazer acontecer ao seu redor.


 
 
 

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