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Criatividade é talento. Repertório é combustível.

  • Foto do escritor: Claudia Taulois
    Claudia Taulois
  • há 14 horas
  • 2 min de leitura


Li recentemente um texto sobre criatividade com o qual concordo em boa parte. Mas fiquei pensando em um ponto no qual faço uma pequena, porém importante, discordância.


Não acho que criatividade seja apenas uma habilidade que se desenvolve com hábitos. Acho que ela também é talento.


Há pessoas que têm uma capacidade particular de enxergar conexões, fazer associações improváveis, mudar perspectivas e encontrar possibilidades onde outras não encontram.

Isso é talento.


Mas talento sozinho não basta.


Criatividade precisa de matéria-prima. E essa matéria-prima é o repertório.


Quanto mais amplo e, principalmente, mais diverso for o repertório, maior o número de possibilidades que uma mente criativa consegue combinar.


É por isso que não consigo me limitar a um único universo de referências.


Leio sobre assuntos diferentes, acompanho pesquisas, observo comportamento, cultura, tecnologia, negócios, comunicação. Leio ficção e não ficção. Vou atrás de dados. Presto atenção em coisas que, naquele momento, podem parecer completamente desconectadas do que estou fazendo.


Muitas das ideias que desenvolvo nascem justamente desses encontros.


Uma leitura encontra uma notícia. Um comportamento encontra um dado. Uma experiência encontra uma pesquisa. E, de repente, existe uma conexão que antes não estava evidente.


É aí que entra a criatividade.


Mas ter uma ideia é apenas o começo.


Depois dela vem uma etapa que considero fundamental: colocá-la à prova.

Pesquisar. Confrontar. Procurar dados. Ouvir outros pontos de vista. Fazer perguntas. Identificar contradições. Rever a própria impressão.


Porque criatividade não é produzir algo diferente apenas por ser diferente.


Uma ideia criativa pode ser surpreendente. Uma ideia criativa e relevante precisa sobreviver ao pensamento crítico.


Também vejo com alguma cautela a ideia de que o medo de errar seja um dos grandes inimigos da criatividade.


O medo pode, sim, impedir que uma pessoa experimente. Mas não acho que ele esteja necessariamente no nascimento da ideia.


Muitas vezes, ele aparece depois.


Criar e mostrar o que criamos são coisas diferentes.


A criação acontece em um espaço muito mais protegido. A exposição coloca a ideia diante do julgamento dos outros.


É aí que podem aparecer o medo da crítica, da rejeição, de parecer inadequado ou simplesmente de descobrir que aquela grande ideia não era tão boa assim.


Criar exige imaginação.

Sustentar aquilo que você criou diante do mundo exige coragem.


Por isso, não acredito nem na ideia de que criatividade seja um dom reservado a poucos, nem na de que basta exercitá-la como um músculo.


Para mim, a equação é outra: Criatividade é talento. Repertório é combustível. Pensamento crítico dá direção. E coragem coloca a ideia no mundo.


Talvez seja por isso que alimentar o repertório seja uma das melhores coisas que podemos fazer pela nossa criatividade.


Não apenas para ter uma ideia hoje.


Mas para dar à nossa cabeça mais possibilidades de encontrar, amanhã, uma ideia que ainda nem sabemos que estamos procurando.


 
 
 

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