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Para os amigos, tudo. Para os inimigos, nada.
Não é apenas sobre o que se fala, mas sobre quem fala, quem faz e quem será atingido. Uma notícia falsa é desinformação quando prejudica o nosso lado, mas vira um equívoco quando nos favorece. Um benefício público é política social quando concedido por quem apoiamos, mas oportunismo eleitoral quando vem do adversário. A liberdade de expressão é um direito inegociável até que alguém diga algo de que discordamos. A régua muda conforme a conveniência. E o princípio, que deveria
Claudia Taulois
há 1 dia3 min de leitura


A vida imita a arte ou a arte imita a vida?
Minha experiência com comunicação e meu interesse pelo comportamento humano me ensinaram a observar não apenas o que as pessoas dizem, mas também as ideias que ganham espaço, as narrativas que se repetem e as mudanças que, pouco a pouco, passam a fazer parte do cotidiano. Há uma pergunta que desperta minha curiosidade: a vida imita a arte ou a arte imita a vida? Filmes e séries frequentemente apresentam situações que parecem improváveis ou próprias de um futuro distante. Anos
Claudia Taulois
13 de out.4 min de leitura


Quando a conveniência vira princípio. Somos todos hipócritas?
Talvez uma das formas mais perigosas de hipocrisia seja aquela que consegue se apresentar como princípio. Não é simplesmente mentir. É defender uma ideia quando ela nos favorece e encontrar uma justificativa para abandoná-la quando a situação se inverte. Quando o lado muda, adapta o argumento. Se o interesse se modifca, transforma o discurso. E, algumas vezes, muda também a régua com que julgamos o certo e o errado. A hipocrisia não nasceu com as redes sociais, com a política
Claudia Taulois
13 de out.7 min de leitura


Quando a inclusão começa a excluir
Tenho a impressão de que estamos vivendo uma mudança silenciosa na forma de enxergar as pessoas. Durante muito tempo, a primeira pergunta era: quem é você? Hoje, cada vez mais, parece que começamos por outra: A que grupo você pertence? Seu gênero, sua cor, sua orientação sexual, sua religião, sua posição política, sua classe social. Antes mesmo de ouvirmos o que alguém tem a dizer, já tentamos encaixá-lo em uma categoria. Talvez o conceito de “lugar de fala” seja um dos melho
Claudia Taulois
6 de ago.3 min de leitura


Quando questionar virou ameaça: o perigo de uma sociedade que desaprende a investigar
Durante muito tempo, uma das frases mais repetidas na escola foi que a ciência evolui porque faz perguntas. Questionar não era um problema. Era o método. Foi assim que derrubamos a ideia de que a Terra era o centro do universo, que compreendemos a origem de inúmeras doenças, que mudamos tratamentos médicos, tecnologias e a forma como entendemos o próprio universo. Nenhuma descoberta importante nasceu da obediência intelectual. Todas começaram com alguém disposto a perguntar s
Claudia Taulois
3 de ago.4 min de leitura


Boas intenções nunca foram um protocolo de segurança
Durante décadas, aprendemos que algumas tecnologias não podem depender apenas da boa intenção de quem as desenvolve. Laboratórios que manipulam vírus altamente contagiosos possuem múltiplas barreiras de segurança. Instalações nucleares seguem protocolos rigorosos. A aviação comercial construiu uma cultura baseada em redundância, auditorias e investigação permanente de falhas. Não porque essas tecnologias "queiram" causar danos. Mas porque, quando o potencial de impacto cresce
Claudia Taulois
27 de jul.4 min de leitura


A quem pertence a última palavra?
Mais uma notícia sobre inteligência artificial me causou certo desconforto. Não pelo avanço da tecnologia. A história da humanidade sempre foi marcada por grandes transformações, e aprender a conviver com elas faz parte da nossa evolução. O desconforto veio de outro lugar. Um escritor vencedor de um importante prêmio literário foi acusado de usar inteligência artificial porque detectores concluíram que seu texto apresentava características de uma produção feita por IA. O auto
Claudia Taulois
21 de jul.3 min de leitura


O que nenhuma inteligência artificial pode recriar
A diferença entre uma voz e uma consciência Há notícias que parecem isoladas. Mas raramente são. Quando observadas com alguma distância, começam a revelar um padrão. É justamente nesses padrões que gosto de prestar atenção. Foi isso que aconteceu quando li sobre a chamada necromancia digital. À primeira vista, trata-se de mais um avanço da inteligência artificial: sistemas capazes de reconstruir a voz, a imagem e a forma de se expressar de pessoas que já morreram, utilizando
Claudia Taulois
20 de jul.4 min de leitura


Quando o coração deixou de acelerar?
Houve um tempo em que o amor começava devagar. Bastava uma troca de olhares para o coração disparar. Um sorriso discreto era suficiente para ocupar nossos pensamentos durante dias. O primeiro toque de mãos parecia um acontecimento. A promessa de uma ligação fazia a ansiedade crescer ao longo da tarde inteira. Cartas eram escritas. Bilhetes eram escondidos entre as páginas de um livro. E uma conversa ao telefone podia atravessar horas porque, mais do que ouvir palavras, quería
Claudia Taulois
14 de jul.6 min de leitura


Certificado de origem: humano
Tenho o hábito de observar fatos, conectar padrões e escrever sobre as transformações do nosso tempo. É quase como costurar uma colcha de retalhos. Cada notícia, cada campanha, cada comportamento é apenas um pedaço de tecido. Sozinho, diz pouco. Mas, quando costurado a tantos outros, começa a revelar um desenho maior. Nas últimas semanas, alguns desses retalhos vieram da publicidade. Outros da literatura, da música, da tecnologia e até de um mercado tão improvável quanto o da
Claudia Taulois
13 de jul.3 min de leitura
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