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Para os amigos, tudo. Para os inimigos, nada.
Não é apenas sobre o que se fala, mas sobre quem fala, quem faz e quem será atingido. Uma notícia falsa é desinformação quando prejudica o nosso lado, mas vira um equívoco quando nos favorece. Um benefício público é política social quando concedido por quem apoiamos, mas oportunismo eleitoral quando vem do adversário. A liberdade de expressão é um direito inegociável até que alguém diga algo de que discordamos. A régua muda conforme a conveniência. E o princípio, que deveria
Claudia Taulois
há 1 dia3 min de leitura


Eu e a IA: uma relação em construção
Não é porque amo alguém, seja meu pai, meu filho, meu marido ou um amigo, que preciso concordar com tudo o que dizem. Relações são construídas com diálogo, respeito, confiança e, também, divergências. Saber ouvir não significa aceitar. Discordar não significa deixar de amar. Assim é também a minha relação com a inteligência artificial. Ela consegue processar informações, relacionar conhecimentos e realizar pesquisas em uma velocidade impressionante. Mas isso não significa que
Claudia Taulois
há 6 dias2 min de leitura


Quando a conveniência vira princípio. Somos todos hipócritas?
Talvez uma das formas mais perigosas de hipocrisia seja aquela que consegue se apresentar como princípio. Não é simplesmente mentir. É defender uma ideia quando ela nos favorece e encontrar uma justificativa para abandoná-la quando a situação se inverte. Quando o lado muda, adapta o argumento. Se o interesse se modifca, transforma o discurso. E, algumas vezes, muda também a régua com que julgamos o certo e o errado. A hipocrisia não nasceu com as redes sociais, com a política
Claudia Taulois
13 de out.7 min de leitura


A narrativa nunca pode estar acima dos fatos
Em comunicação, construir uma narrativa faz parte do trabalho. Uma boa história organiza acontecimentos, cria contexto, aproxima pessoas e ajuda a tornar compreensível aquilo que, isoladamente, poderia parecer apenas um conjunto de informações. O problema começa quando a narrativa deixa de organizar os fatos e passa a substituí-los. Em 2014, Lula contou uma história sobre o período em que fazia oposição e viajava pelo mundo falando sobre os problemas brasileiros. Segundo seu
Claudia Taulois
7 de out.3 min de leitura


Você nega o óbvio?
Às vezes, o problema não é falta de informação. Os sinais estão ali. A mudança de comportamento. A queda nos resultados. O afastamento. As reclamações. O desgaste. A repetição dos mesmos conflitos. Nós percebemos. Só não gostamos da resposta que eles estão dando. E talvez essa seja uma das razões pelas quais insistimos tanto em determinadas situações. Porque reconhecer o que está acontecendo pode exigir algo que não queremos fazer: mudar de rota, admitir um erro, abrir mão de
Claudia Taulois
25 de set.4 min de leitura


Criatividade é talento. Repertório é combustível.
Li recentemente um texto sobre criatividade com o qual concordo em boa parte. Mas fiquei pensando em um ponto no qual faço uma pequena, porém importante, discordância. Não acho que criatividade seja apenas uma habilidade que se desenvolve com hábitos. Acho que ela também é talento. Há pessoas que têm uma capacidade particular de enxergar conexões, fazer associações improváveis, mudar perspectivas e encontrar possibilidades onde outras não encontram. Isso é talento. Mas talent
Claudia Taulois
4 de set.2 min de leitura


Não culpe o carteiro pela carta que você não gostou.
Como este é um espaço dedicado à comunicação e ao comportamento, considero importante trazer essa discussão para análise. A polêmica em torno da responsabilidade das plataformas pelo conteúdo que circula nelas está crescendo. E, embora envolva tecnologia, regulação e liberdade de expressão, ela também diz muito sobre a maneira como nos comunicamos e, principalmente, sobre como reagimos ao que recebemos. A metáfora do carteiro ajuda a começar essa reflexão: não se deve culpar
Claudia Taulois
28 de ago.3 min de leitura


Eu não estou vendo. Ou escolhi não ver?
Existe uma história muito repetida sobre os primeiros encontros entre europeus e povos indígenas: a de que eles não teriam conseguido enxergar os grandes navios porque não possuíam uma referência anterior para aquilo. A história, ao menos na forma como costuma ser contada, não encontra sustentação histórica suficiente. Mas a ideia por trás dela toca em algo verdadeiro sobre a percepção: não basta receber um estímulo para compreendê-lo. Precisamos de referências para interpret
Claudia Taulois
11 de ago.4 min de leitura


Quando questionar virou ameaça: o perigo de uma sociedade que desaprende a investigar
Durante muito tempo, uma das frases mais repetidas na escola foi que a ciência evolui porque faz perguntas. Questionar não era um problema. Era o método. Foi assim que derrubamos a ideia de que a Terra era o centro do universo, que compreendemos a origem de inúmeras doenças, que mudamos tratamentos médicos, tecnologias e a forma como entendemos o próprio universo. Nenhuma descoberta importante nasceu da obediência intelectual. Todas começaram com alguém disposto a perguntar s
Claudia Taulois
3 de ago.4 min de leitura


A quem pertence a última palavra?
Mais uma notícia sobre inteligência artificial me causou certo desconforto. Não pelo avanço da tecnologia. A história da humanidade sempre foi marcada por grandes transformações, e aprender a conviver com elas faz parte da nossa evolução. O desconforto veio de outro lugar. Um escritor vencedor de um importante prêmio literário foi acusado de usar inteligência artificial porque detectores concluíram que seu texto apresentava características de uma produção feita por IA. O auto
Claudia Taulois
21 de jul.3 min de leitura


Por que os países que mais leem não são os que têm os maiores clubes do livro?
Quando observamos os clubes do livro mais influentes do mundo, a impressão inicial é clara: eles estão concentrados nos Estados Unidos. Oprah, Reese Witherspoon, Jenna Bush Hager e o Book of the Month moldaram a forma contemporânea de circulação da leitura. Mas essa é apenas uma parte da história. Quando cruzamos índices de leitura, estrutura do mercado editorial e formas de organização cultural, o que emerge é um mapa menos óbvio e mais interessante. Os países que mais leem
Claudia Taulois
30 de jun.2 min de leitura


Quem escolhe quais histórias serão lembradas?
Costumamos pensar na história como o relato dos acontecimentos do passado. Mas, talvez, ela seja algo mais complexo: uma tentativa humana de dar significado ao tempo, às mudanças e à própria existência. Seja na história de uma pessoa, de uma família, de uma nação ou da humanidade, tudo começa com narrativas. São elas que organizam experiências, explicam acontecimentos e ajudam a responder à pergunta: "Como chegamos até aqui?". No entanto, existe uma questão fundamental que ne
Claudia Taulois
11 de jun.3 min de leitura
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