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Para os amigos, tudo. Para os inimigos, nada.
Não é apenas sobre o que se fala, mas sobre quem fala, quem faz e quem será atingido. Uma notícia falsa é desinformação quando prejudica o nosso lado, mas vira um equívoco quando nos favorece. Um benefício público é política social quando concedido por quem apoiamos, mas oportunismo eleitoral quando vem do adversário. A liberdade de expressão é um direito inegociável até que alguém diga algo de que discordamos. A régua muda conforme a conveniência. E o princípio, que deveria
Claudia Taulois
há 1 dia3 min de leitura


A vida imita a arte ou a arte imita a vida?
Minha experiência com comunicação e meu interesse pelo comportamento humano me ensinaram a observar não apenas o que as pessoas dizem, mas também as ideias que ganham espaço, as narrativas que se repetem e as mudanças que, pouco a pouco, passam a fazer parte do cotidiano. Há uma pergunta que desperta minha curiosidade: a vida imita a arte ou a arte imita a vida? Filmes e séries frequentemente apresentam situações que parecem improváveis ou próprias de um futuro distante. Anos
Claudia Taulois
13 de out.4 min de leitura


O que é justiça para você?
Ser tratado da mesma maneira que os outros? Receber aquilo que você considera que merece? Ter as mesmas oportunidades? Saber que as mesmas regras valem para todos? A pergunta parece simples até chegar a uma situação em que o resultado não nos favorece. E é justamente aí que justiça se encontra com comportamento, comunicação e cultura. Porque a forma como entendemos justiça aparece nas relações que construímos, nas regras que criamos, nas decisões que tomamos e na maneira como
Claudia Taulois
2 de out.6 min de leitura


Quando o passado vira negócio, o que não pode ser perdido?
Há um movimento interessante acontecendo no entretenimento. Livros que conquistaram leitores anos atrás estão ganhando novas vidas nas telas. Romances que durante muito tempo foram tratados como literatura menor hoje movimentam streamings, fandoms, eventos, produtos e milhões de espectadores. Não é difícil entender o interesse. Uma história que já encontrou seu público chega à tela acompanhada de algo que qualquer produtor gostaria de ter: uma comunidade emocionalmente envolv
Claudia Taulois
23 de set.4 min de leitura


Que mundo queremos deixar para nossos filhos? Talvez ele comece pelas histórias que contamos a eles.
Que mundo queremos deixar para nossos filhos? A resposta costuma passar por educação, segurança, oportunidades, saúde, meio ambiente. Tudo isso importa. Existe, porém, uma dimensão menos visível dessa construção: o imaginário. Antes de compreender o mundo, a criança começa a formar uma ideia sobre ele. E isso acontece o tempo inteiro, nas conversas em casa, nas atitudes que observa, nas experiências que vive, nas pessoas com quem convive e nas histórias que acompanha. Imagine
Claudia Taulois
27 de ago.5 min de leitura


A adaptação trai a obra ou apenas muda a linguagem?
A estreia de A Odisseia, adaptação cinematográfica do poema atribuído a Homero, reacendeu um debate que parece inevitável sempre que um grande clássico chega às telas. Antes mesmo de o filme estrear, as redes sociais já discutiam escolhas de elenco, mudanças na narrativa e o quanto a produção seria — ou não — fiel ao texto original. No meio de tantas opiniões, uma frase voltou a aparecer como se fosse uma verdade absoluta: "O livro é sempre melhor." Ela atravessa gerações e c
Claudia Taulois
30 de jul.3 min de leitura


As histórias que herdamos
Recentemente, comecei a assistir à saga da família Dutton por meio de 1883, 1923 e Yellowstone. Enquanto acompanhava cada episódio, percebi que não estava pensando apenas na história daquela família. Estava voltando para a minha. Muito antes de conhecer os Dutton, eu já vivia outra tradição. Meu pai era apaixonado por História. Conhecia batalhas, impérios, personagens e acontecimentos com uma profundidade que sempre me impressionou. Mas o que mais marcou minha infância não fo
Claudia Taulois
29 de jul.3 min de leitura


Quando a literatura deixa de caber na programação oficial
Não estive em Paraty na semana passada. Ainda assim, passei os últimos dias acompanhando a Flip como quem caminha pela cidade. Li a cobertura da imprensa, assisti aos vídeos publicados pelos canais oficiais, acompanhei entrevistas e, principalmente, procurei ouvir as conversas que aconteciam fora dos auditórios. Aquela troca de impressões que raramente aparece na programação, mas costuma revelar muito sobre um evento. Foi desse lugar que nasceu este texto. Um esforço para reu
Claudia Taulois
28 de jul.4 min de leitura


Quando todo mundo quer uma comunidade, talvez o diferencial volte a ser uma boa história
"Jogo de produtinho disfarçado de comunidade tem um monte por aí. Agora, fazer direito ninguém quer, né?" Li essa frase recentemente, acompanhada de dezenas de relatos semelhantes. Creators convidados para "eventos exclusivos" que nunca resultam em parceria. Produtos enviados com briefing, roteiro, exigências de figurino, maquiagem, aprovação de conteúdo... mas nenhuma remuneração. Tudo em nome de uma suposta comunidade. A crítica me chamou menos atenção do que a palavra esco
Claudia Taulois
23 de jul.3 min de leitura


O vale invisível dos fenômenos
Sempre que alguém se torna um fenômeno, começa uma corrida para explicar o por quê. Uns dizem que foi talento. Outros juram que foi posicionamento. Há quem aponte o algoritmo, o marketing, a comunidade certa ou a estratégia perfeita. Nos últimos anos, também surgiu uma infinidade de especialistas prometendo exatamente isso: o método capaz de tirar qualquer pessoa do anonimato e levá-la ao sucesso. Confesso que nenhuma dessas explicações me convence completamente. Não porque e
Claudia Taulois
22 de jul.3 min de leitura


A quem pertence a última palavra?
Mais uma notícia sobre inteligência artificial me causou certo desconforto. Não pelo avanço da tecnologia. A história da humanidade sempre foi marcada por grandes transformações, e aprender a conviver com elas faz parte da nossa evolução. O desconforto veio de outro lugar. Um escritor vencedor de um importante prêmio literário foi acusado de usar inteligência artificial porque detectores concluíram que seu texto apresentava características de uma produção feita por IA. O auto
Claudia Taulois
21 de jul.3 min de leitura


O que nenhuma inteligência artificial pode recriar
A diferença entre uma voz e uma consciência Há notícias que parecem isoladas. Mas raramente são. Quando observadas com alguma distância, começam a revelar um padrão. É justamente nesses padrões que gosto de prestar atenção. Foi isso que aconteceu quando li sobre a chamada necromancia digital. À primeira vista, trata-se de mais um avanço da inteligência artificial: sistemas capazes de reconstruir a voz, a imagem e a forma de se expressar de pessoas que já morreram, utilizando
Claudia Taulois
20 de jul.4 min de leitura


A responsabilidade pela descoberta
Quem decide quais histórias têm a chance de ser encontradas? Há algo de mágico nos festivais literários. Poucos acontecimentos conseguem fazer o que eles fazem: transformar livros, normalmente silenciosos sobre uma estante, em conversas que ocupam cidades inteiras. Durante alguns dias, escritores encontram leitores. Debates saem das páginas para ganhar teatros, cafés, praças e ruas. A literatura deixa de ser um ato solitário para se tornar uma experiência coletiva. Talvez sej
Claudia Taulois
16 de jul.5 min de leitura


Se nunca produzimos tanta cultura, por que está cada vez mais difícil surgir um novo grande nome?
Existe um fenômeno curioso acontecendo na economia criativa. Ele aparece nas paradas musicais, nos festivais, nas listas de livros mais vendidos, nas plataformas de streaming, na publicidade e até nas discussões sobre inteligência artificial. À primeira vista, parecem assuntos desconectados. Mas todos apontam para a mesma pergunta: por que, em uma época que produz tanto conteúdo, é tão difícil ver surgir novos fenômenos culturais? Nos últimos meses, diferentes estudos e repor
Claudia Taulois
8 de jul.3 min de leitura


Depois de um século celebrando o indivíduo, a cultura parece querer reunir as pessoas novamente
Enquanto a Copa do Mundo mobilizava bilhões de pessoas ao redor do planeta, o Cannes Lions reunia, na França, a indústria criativa para discutir o futuro da comunicação. À primeira vista, dois universos completamente diferentes. Mas uma reflexão da produtora executiva Fernanda Germek chamou minha atenção. Ao comentar os dois eventos, ela sugeriu que talvez tanto a Copa quanto Cannes sejam, acima de tudo, fábricas de pertencimento. A expressão ficou comigo, não apenas pela for
Claudia Taulois
7 de jul.4 min de leitura


Os vídeos de um minuto estão mudando o lugar do livro no mundo
Uma notícia vinda da Feira Internacional do Livro de Pequim chamou a atenção do mercado editorial por um movimento que, à primeira vista, parece apenas uma curiosidade de formato. Na China, histórias publicadas em plataformas digitais estão sendo transformadas em microdramas — vídeos de cerca de um minuto, criados para consumo rápido em celulares e redes sociais. Esses conteúdos ganham enorme alcance e, quando despertam forte interesse do público, seguem um caminho inesperado
Claudia Taulois
3 de jul.2 min de leitura


O que permanece quando a última página termina?
Algumas experiências simplesmente não aceitam ser aceleradas. Nos últimos meses, uma tendência curiosa começou a chamar a atenção. Entre a Geração Z, os livros físicos voltaram a ganhar espaço. Os fones com fio, que pareciam destinados aos museus da tecnologia, também estão reaparecendo. Em um mundo cada vez mais digital, conectado e acelerado, cresce o interesse justamente por objetos que exigem menos tecnologia e mais presença. Há quem explique esse movimento pela nostalgia
Claudia Taulois
2 de jul.3 min de leitura


Por que os países que mais leem não são os que têm os maiores clubes do livro?
Quando observamos os clubes do livro mais influentes do mundo, a impressão inicial é clara: eles estão concentrados nos Estados Unidos. Oprah, Reese Witherspoon, Jenna Bush Hager e o Book of the Month moldaram a forma contemporânea de circulação da leitura. Mas essa é apenas uma parte da história. Quando cruzamos índices de leitura, estrutura do mercado editorial e formas de organização cultural, o que emerge é um mapa menos óbvio e mais interessante. Os países que mais leem
Claudia Taulois
30 de jun.2 min de leitura


Os meios passam. As histórias permanecem
O telégrafo desapareceu. As locadoras desapareceram. Os livros continuaram. Em 1997, uma multa de US$ 40 por atraso na devolução de um filme ajudou a dar origem à Netflix. Anos depois, a empresa faria algo ainda mais surpreendente: abandonaria um modelo que era lucrativo para apostar em outro antes que alguém o fizesse por ela. A história é conhecida. Mas ela revela algo muito maior do que a transformação de uma empresa. Ela mostra um padrão que acompanha a humanidade há milh
Claudia Taulois
26 de jun.2 min de leitura


O perigo de todos estarem certos
O objetivo era inovar. Mas, de repente, ficou tudo igual. Nessa Copa do Mundo, torcedores perceberam algo curioso. Nos pés dos jogadores, predominava a mesma cor: rosa. Nike, Adidas, Puma, Mizuno e outras marcas chegaram praticamente à mesma conclusão para suas coleções. A escolha não foi aleatória. Estudos apontavam que a cor se destacava mais no gramado, transmitia confiança aos atletas e estava alinhada às tendências globais de moda esportiva. Cada empresa fez sua pesquisa
Claudia Taulois
23 de jun.3 min de leitura
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